
Quando a família se reúne na casa de praia para um momento de descanso, um pequeno acidente doméstico coloca Elena diante de uma carta que traz revelações sobre um passado que nunca imaginou existir.
É como se deitar em uma cama de pregos. Você pensaria que cada um deles abriria feridas pela sua pele, mas a verdade é que seu peso se divide perfeitamente e não há um só ponto que doa de fato. Eu podia passar uma tarde inteira enumerando razões para criticar a minha mãe e sua forma de criação e, mesmo assim, era ela quem eu procuraria ao fim do dia. Beira o cômico, mas não deixa de ser trágico, é claro. Lá estou eu, com os joelhos curvados ao peito e a cabeça se escondendo entre eles, enquanto suas mãos vão e voltam pelas minhas costas no seu colo, como se só aquele ritmo maternal pudesse curar as últimas semanas de exaustão. Estou esgotada, com medo, vazia, absorta, perdida. Havia passado horas fazendo o mesmo que ela fazia agora, equilibrando uma Luna chorosa nos meus braços cansados, acalmando seu choro insistente com os “shh” e os “está tudo bem, eu estou aqui” que ouço agora. Por mais que tente, não consigo sair do seu abraço. É impossível deter meus impulsos vitimistas, lembrar-me que sou uma adulta, uma mãe, que não posso clamar por colo como uma criança faria. Preciso disso, desse momento, mesmo sabendo do julgamento que virá a seguir. Sempre vem.